Análise SWOT pessoal: como fazer a sua

Uma análise SWOT pessoal é uma matriz de quatro quadrantes onde você lista suas forças, suas fraquezas, as oportunidades à sua volta e as ameaças que podem atrapalhar. Ela leva de vinte a quarenta minutos para preencher. Abaixo está a matriz em branco, um exemplo preenchido do começo ao fim e a parte que quase todo mundo pula, que é o que fazer depois de preencher.

Matriz de análise SWOT pessoal com os quatro quadrantes: forças, fraquezas, oportunidades e ameaças

O que é uma análise SWOT pessoal

É a mesma matriz que empresas usam em planejamento estratégico, aplicada a uma pessoa. Você no lugar da empresa, e um objetivo seu no lugar do objetivo do negócio.

A sigla vem do inglês: Strengths (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças). Em português ela também aparece como FOFA, com os mesmos quatro quadrantes na mesma ordem.

A divisão que importa não é entre bom e ruim. É entre dentro e fora. Forças e fraquezas são internas, coisas que você controla ou pelo menos consegue mudar. Oportunidades e ameaças são externas, coisas que existem com ou sem você.

Essa é a linha que separa uma SWOT que funciona de uma lista de qualidades e defeitos. “Sou desorganizado” é interno. “O mercado da minha área encolheu 20% na cidade” é externo. As duas coisas afetam o mesmo objetivo, mas você faz coisas diferentes com cada uma.

A matriz SWOT pessoal em branco

Copie a tabela abaixo para uma folha, um documento ou um quadro, ou imprima a matriz SWOT pessoal em branco, que já vem com o campo do objetivo no topo e os quatro cruzamentos no verso. Quatro quadrantes, duas linhas, e nada além disso.

Ajuda o objetivoAtrapalha o objetivo
Interno
(vem de você)
Forças
O que você já tem e funciona
Fraquezas
O que em você atrapalha hoje
Externo
(vem de fora)
Oportunidades
O que está disponível e você ainda não usou
Ameaças
O que pode piorar, independente de você

Antes de escrever a primeira palavra, escreva o objetivo no topo da folha. Um objetivo, não três. A matriz sem objetivo em cima é o erro da próxima seção.

O erro que faz a maioria das SWOT não servir para nada

Em 1997, dois pesquisadores publicaram na revista Long Range Planning um artigo com o título “SWOT Analysis: It’s Time for a Product Recall”. Eles acompanharam o uso da ferramenta em mais de vinte empresas, com catorze consultorias diferentes.

Os números que encontraram: as listas tinham mais de 40 fatores em média, escritos em termos genéricos, sem nenhuma priorização e sem ninguém verificar se eram verdade. E o achado que dá o nome ao artigo: o resultado da SWOT foi usado nas etapas seguintes em apenas três casos.

Traduzindo para a sua matriz: quarenta itens genéricos que ninguém olha de novo. O problema não é a ferramenta, é parar no preenchimento.

Três regras evitam isso, e valem tanto para SWOT pessoal quanto para a empresarial:

  • Um objetivo por matriz. “Melhorar minha vida” não é objetivo. “Sair de analista para coordenador em doze meses” é.
  • No máximo cinco itens por quadrante. Se você tem quinze forças, catorze não são decisivas para esse objetivo.
  • Cada item precisa de evidência. “Sou boa comunicadora” vira “conduzi as reuniões de time nos últimos oito meses e a taxa de retrabalho caiu”.

A terceira regra é a que mais dói e a que mais muda o resultado. Item sem evidência é opinião sobre si mesmo, e opinião sobre si mesmo é justamente o que a matriz deveria testar.

Forças: como achar as suas de verdade

Força é o que você já faz bem e que serve para este objetivo. Tocar violão é uma qualidade real e não é uma força se o objetivo é virar coordenador.

Quatro perguntas que costumam destravar o quadrante:

  • O que as pessoas pedem para você fazer porque sabem que você faz bem?
  • O que você faz sem esforço e os outros acham difícil?
  • Qual foi a última coisa que deu certo, e o que você fez para dar certo?
  • Que recurso você tem que a maioria dos seus pares não tem? Formação, rede de contatos, tempo, dinheiro, experiência específica.

Recurso conta como força. Ter alguém no setor onde você quer entrar é força. Ter reserva financeira para seis meses é força, porque muda o que você pode arriscar.

Se esse quadrante travar, o caminho mais rápido é olhar de fora. Compreender seus pontos fortes e fracos é uma conversa mais fácil de ter com outra pessoa do que sozinho na frente de uma folha.

Fraquezas: escrever sem virar lista de defeitos

Este é o quadrante que descarrilha. A pessoa começa a escrever e em três minutos está fazendo terapia de si mesma numa folha de papel.

O filtro é o mesmo das forças: só entra o que atrapalha este objetivo. E o teste de que a fraqueza está bem escrita é conseguir dizer o que ela custa.

Escrito assim, não serveEscrito assim, serve
Sou inseguroNão me candidato a vaga quando não atendo 100% dos requisitos. Deixei passar três em um ano.
Sou desorganizadaNão tenho registro do que combino nas reuniões, então repito pergunta e perco credibilidade.
Não sei venderNunca falei de preço sem baixar antes de o cliente pedir desconto.

Repare que a coluna da direita já sugere o que fazer. A da esquerda não sugere nada, porque não descreve comportamento nenhum.

Uma fraqueza que aparece muito e quase nunca é escrita: falta de tempo em cima de uma agenda que você mesmo montou. Isso é interno, não externo. É escolha, não circunstância.

Oportunidades: o que conta como externo

Oportunidade é algo que existe fora de você e está disponível. Se some quando você para de existir, não é oportunidade, é força.

Onde procurar:

  • Movimento do mercado. Uma função nova que passou a existir, uma exigência que caiu, uma área que cresceu na sua cidade.
  • Pessoas. Alguém que abriu uma porta, um antigo chefe que mudou de empresa, um grupo de que você faz parte e nunca usou.
  • Momento. Uma reestruturação em curso, um projeto começando, um orçamento que abriu.
  • Acesso. Um curso pago pela empresa, uma bolsa, uma ferramenta que ficou barata ou gratuita.
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O erro comum aqui é escrever desejo no lugar de oportunidade. “Quero fazer um MBA” é desejo. “A empresa reembolsa 70% de pós-graduação e ninguém do meu time usou esse ano” é oportunidade, porque existe com ou sem a sua vontade.

Ameaças: o quadrante que quase todo mundo deixa vazio

Se o seu quadrante de ameaças tem um item, provavelmente você o preencheu errado. Não porque sua vida seja um desastre, mas porque ameaça é a categoria mais desconfortável de escrever e a mais fácil de pular.

Ameaça não precisa ser catástrofe. É qualquer coisa externa que, se acontecer, atrasa ou impede o objetivo:

  • Alguém já está posicionado para a vaga que você quer.
  • Seu setor depende de um único cliente grande.
  • A habilidade que sustenta seu trabalho está ficando barata de comprar.
  • A pessoa que te apoia internamente está de saída.
  • Uma mudança de casa, cidade ou situação familiar já marcada no calendário.

Ameaça escrita não é pessimismo. É a única forma de ter plano B antes de precisar dele. E ameaça que você não escreve não deixa de existir, só deixa de ser planejada.

Uma análise SWOT pessoal preenchida, do começo ao fim

Exemplo completo, com objetivo definido e evidência em cada item. A pessoa é fictícia, o formato é o que funciona.

Objetivo: sair de analista de marketing para coordenadora de marketing em até doze meses, na empresa atual ou em outra.

ForçasFraquezas
Conduzo a reunião semanal do time há 8 meses e ninguém pediu para trocar

Sou a única da área que sabe montar relatório no banco de dados sem pedir para TI

Tenho reserva para 5 meses, então posso recusar proposta ruim

Fiz a apresentação para a diretoria duas vezes e fui chamada de novo

Nunca gerenciei ninguém formalmente, e não sei dar retorno difícil

Evito conflito: quando discordo do meu gestor, eu concordo na reunião e reclamo depois

Meu trabalho aparece dentro da área e não fora dela. Fora do time, poucos sabem o que eu faço

Não tenho registro dos resultados que entreguei. Está tudo na minha memória

OportunidadesAmeaças
A empresa vai abrir uma coordenação nova no segundo semestre, já anunciada

Minha ex-gestora foi para uma concorrente e me chamou para conversar duas vezes

A empresa reembolsa 70% de curso de gestão e ninguém do time usou este ano

O time dobrou em um ano e ninguém sênior quer assumir gente

Tem um colega com mais tempo de casa mirando a mesma coordenação

Meu gestor atual é quem indica, e ele não sabe que eu quero a vaga

Se o orçamento cortar no meio do ano, a coordenação não abre

Minha função mais visível é relatório, e a empresa está comprando ferramenta que automatiza isso

Exemplo de matriz SWOT desenhada em quatro quadrantes numa folha

Dezesseis itens, quatro por quadrante, cada um com evidência. Escrever assim leva mais tempo que escrever “sou proativa”. É a diferença entre uma matriz que você relê em março e uma que você não abre nunca mais. Outras situações, cada uma com o cruzamento dos quadrantes, estão em exemplos resolvidos de SWOT pessoal.

O que fazer depois de preencher: cruzar os quadrantes

Aqui é onde a maioria para, e é onde estava o problema apontado pelos pesquisadores de 1997. A matriz preenchida ainda é só uma lista. O que transforma lista em decisão é cruzar os quadrantes dois a dois.

São quatro cruzamentos, e cada um responde uma pergunta diferente:

CruzamentoA perguntaDo exemplo acima
Força + Oportunidade
Onde atacar
Que força minha aproveita esta oportunidade agora?Apresentar para a diretoria já é força. A coordenação nova é oportunidade. Pedir para apresentar o resultado do time na próxima reunião de diretoria.
Força + Ameaça
Como se defender
Que força minha neutraliza esta ameaça?O colega tem mais tempo de casa. A força é saber montar relatório sem TI. Documentar isso como processo do time deixa a competência visível e transferível.
Fraqueza + Oportunidade
O que corrigir primeiro
Que fraqueza minha me impede de pegar esta oportunidade?Nunca gerenciou ninguém, e a empresa reembolsa curso de gestão. É o mesmo item nos dois quadrantes. Vira a primeira ação.
Fraqueza + Ameaça
O risco real
Que combinação me derruba se as duas acontecerem?O gestor não sabe que ela quer a vaga, e ela evita conflito. Se ele indicar outro, ela descobre tarde. Este é o item mais urgente da matriz inteira.

O último cruzamento costuma revelar a ação que a pessoa vinha adiando. No exemplo, nada na matriz é mais urgente que uma conversa de quinze minutos com o gestor.

Se você quer aprofundar a leitura das forças que empurram e das que travam, a análise do campo de forças é a ferramenta que continua a partir daqui.

Da matriz para a meta

Cruzar os quadrantes dá de três a cinco ações. Ação sem prazo e sem critério volta a ser lista.

O caminho curto é passar cada ação por uma meta SMART: específica, mensurável, alcançável, relevante e com prazo. “Conversar com o gestor” vira “pedir quinze minutos na agenda dele até sexta e dizer que quero a coordenação”.

Feito isso, a SWOT terminou o trabalho dela. Ela é ferramenta de diagnóstico, não de execução. O que vem depois é definir as ações e acompanhar.

Vale marcar uma data para reler a matriz. Três meses é um bom intervalo. Metade das ameaças que você escreveu não vai acontecer, e vai aparecer uma que você não tinha visto.

SWOT, FOFA ou SOFT: de onde a matriz veio

A história que circula na internet é que a SWOT nasceu em Harvard nos anos 60. Uma reconstrução publicada em 2023, também na Long Range Planning, foi aos arquivos e concluiu outra coisa.

O estudo “The origins of SWOT analysis”, de Puyt, Lie e Wilderom, credita a origem a Robert Franklin Stewart, do Stanford Research Institute, que publicou em 1965 a abordagem SOFT: Satisfactory, Opportunities, Faults, Threats. O F de Faults virou W de Weaknesses depois. Os autores chamam a atribuição a Harvard de lenda urbana acadêmica.

Serve para alguma coisa saber disso? Serve para uma: a ferramenta nasceu para entender por que o planejamento das empresas falhava, não para descrever alguém. Ela sempre foi sobre um objetivo, e não sobre uma pessoa. É a mesma regra do começo deste texto, com sessenta anos de idade.

Sobre o nome em português: FOFA (forças, oportunidades, fraquezas, ameaças) é a mesma matriz. Se você procurou por análise FOFA pessoal e chegou aqui, é isto mesmo, sem diferença de método.

Quando a SWOT não é a ferramenta certa

A SWOT é boa para diagnosticar cenário com um objetivo já definido. Ela é fraca em três situações, e insistir nela custa tempo:

  • Você não sabe qual é o objetivo. Aí a matriz não tem topo. Comece pela Roda da Vida, que mostra qual área está pedindo atenção antes de você escolher o alvo.
  • A questão é de comportamento, não de cenário. “Por que eu travo quando preciso cobrar alguém” não cabe em quadrante. Um assessment de comportamento responde melhor, porque descreve como a pessoa reage sob pressão em vez do que está à volta dela.
  • A decisão é entre duas opções concretas. Ficar ou sair, aceitar ou recusar. Aí a matriz de perdas e ganhos é mais direta que quatro quadrantes.

Também não use SWOT como retrato de personalidade. Ela muda quando o objetivo muda, e é para ser assim. A mesma pessoa tem forças diferentes para “virar coordenadora” e para “abrir um negócio”.

Aplicar a SWOT num cliente sem virar trabalho manual

Se você é o profissional que conduz, o desenho da matriz é a parte fácil. A parte chata é o que vem depois: guardar a folha, achar de novo três sessões adiante e lembrar do que foi escrito quando o cliente mudar de ideia.

Duas coisas ajudam na condução, independente de ferramenta:

  • Deixe o cliente preencher. Quem escreve com a própria mão defende menos e revisa mais. Sua função é perguntar a evidência de cada item.
  • Não aceite item genérico. “Sou dedicado” volta com a pergunta “dedicado em quê, na semana passada”.

A SWOT costuma entrar nas primeiras sessões, junto com a definição do estado desejado, porque é ferramenta de diagnóstico de cenário.

Na SistemizeCoach a SWOT é uma das mais de 100 ferramentas da plataforma, e o preenchimento fica preso ao processo do cliente, junto do histórico das sessões. São mais de 179.000 aplicações de ferramenta registradas em doze anos de operação, e boa parte do ganho está em não perder o material entre uma sessão e a seguinte.

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Perguntas frequentes sobre a análise SWOT pessoal

Como fazer uma análise SWOT pessoal passo a passo?

Escreva um objetivo no topo da folha. Desenhe quatro quadrantes. Preencha forças e fraquezas com o que vem de você, oportunidades e ameaças com o que vem de fora, no máximo cinco itens em cada e com evidência em todos. Depois cruze os quadrantes dois a dois para tirar de três a cinco ações. O preenchimento leva de vinte a quarenta minutos.

Qual a diferença entre análise SWOT e FOFA?

Nenhuma no método. FOFA é a sigla em português para forças, oportunidades, fraquezas e ameaças, e SWOT é a sigla em inglês para strengths, weaknesses, opportunities e threats. São os mesmos quatro quadrantes, com a mesma divisão entre fatores internos e externos.

Quantos itens colocar em cada quadrante da SWOT pessoal?

De três a cinco. O estudo de Hill e Westbrook de 1997 mostrou que listas de SWOT tinham mais de 40 fatores em média, genéricos e sem priorização, e que o resultado acabava não sendo usado nas etapas seguintes. Quadrante curto com evidência vale mais que quadrante cheio.

O que colocar em ameaças na SWOT pessoal?

Qualquer fator externo que possa atrasar ou impedir o objetivo, sem depender de você. Concorrência por uma vaga, dependência de um único cliente, uma habilidade sua que está ficando fácil de automatizar, a saída de quem te apoia internamente, ou uma mudança já marcada na sua vida pessoal. Ameaça vazia quase sempre significa quadrante não preenchido, e não ausência de risco.

A análise SWOT pessoal serve para carreira?

Serve, e é o uso mais comum. A regra é a mesma: um objetivo de carreira específico no topo, como uma promoção, uma transição de área ou uma mudança de empresa. Uma SWOT com o objetivo “crescer profissionalmente” produz itens genéricos, porque não existe critério para decidir o que é força e o que é irrelevante.

Preciso de um modelo pronto ou posso desenhar na folha?

Uma folha dividida em quatro serve. O que muda o resultado não é o modelo, é ter o objetivo escrito no topo, evidência em cada item e o cruzamento dos quadrantes no fim. Modelo bonito com item genérico continua sendo item genérico.

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